Egito autoriza fabricação e venda do Viagra feminino.

28/01/2019

 A Flibanserina foi aprovada pela primeira vez nos Estados Unidos, mas na Europa o seu consumo não está homologado pela Agência Europeia do Medicamento.

A jornalista Sally Nabil, correspondente da BBC, investiga se há mercado para o medicamento em um país tão conservador socialmente.

"Fiquei sonolenta e tonta, e meu coração estava acelerado."

Foi assim que Leila (nome fictício) se sentiu depois de tomar seu primeiro comprimido de Flibanserin, o chamado "Viagra feminino".

O uso do medicamento foi autorizado pela primeira vez nos EUA há quase três anos, e agora está sendo fabricado no Egito por uma empresa farmacêutica local.

Leila é uma dona de casa conservadora na faixa de 30 anos. Ela prefere não revelar a identidade, assim como outras mulheres, uma vez que falar sobre problemas e necessidades sexuais ainda é um tabu no Egito.

Após quase 10 anos de casada, ela diz que decidiu tomar o medicamento "por mera curiosidade".

Leila, que não tem problemas de saúde, comprou o remédio sem receita médica - uma prática muito comum no Egito, onde as pessoas podem adquirir diversos medicamentos sem receita.

"O farmacêutico me disse para tomar um comprimido todas as noites por algumas semanas. E disse que não haveria efeitos colaterais", diz ela.

"Meu marido e eu queríamos ver o que aconteceria. Tentei uma vez e nunca mais farei isso novamente."

As taxas de divórcio estão aumentando no Egito, e algumas reportagens da imprensa local atribuem a problemas sexuais entre os casais.

A fabricante local de Flibanserin diz que três em cada dez mulheres no país têm baixo desejo sexual. Mas esses números são apenas estimativas aproximadas - é difícil encontrar estatísticas deste tipo no país.

"Este tratamento é muito necessário aqui - é uma revolução", diz Ashraf Al Maraghy, representante da empresa.

Maraghy ​​diz que a droga é segura e eficaz e que qualquer sintoma como tontura e sonolência vai desaparecer com o tempo - mas muitos farmacêuticos e médicos discordam.

Um farmacêutico entrevistado pela reportagem avisou que a droga poderia baixar a pressão arterial para "níveis alarmantes" e poderia ser problemática para pessoas com doenças cardíacas e hepáticas.

Murad Sadiq, que administra uma farmácia no norte do Cairo, diz que sempre explica os efeitos colaterais para os clientes, mas que "eles ainda insistem em comprar" a droga.

"Cerca de 10 pessoas por dia chegam aqui para comprar o remédio. A maioria delas é de homens. As mulheres são muito tímidas para pedir isso."

Sobre o Viagra Feminino
O Flibanserina (BIMT-17), também conhecido como viagra feminino, é um composto não hormonal capaz de tratar o transtorno do desejo sexual hipoativo é a deficiência ou a completa ausência do desejo para a prática de atividade sexual ou de fantasias sexuais, o que conduz a uma diminuição da libido, sofrimento e dificuldades interpessoais.

Fonte: Pfarma